Quando perdemos um amor, decidimos chorar ou não, decidimos chorar por pouco tempo ou por muito tempo. Quando perdemos uma pessoa querida para a morte, decidimos tocar a nossa vida, na saudade, ou paralisar a nossa pelo resto da vida.
Nem sempre as coisas são assim tão claras.
Em muitas situações, as vivências (o resultado da interação entre biologia e ambiente) se tornam sulcos gravados nas veias, como se fossem parte de nossa biologia. Alguém, por exemplo, ouviu de seu pai que nunca seria alguém na vida. Uma criança, diante desta palavra, não tem como decidir que a aquela frase não lhe será uma verdade. Esta criança será adulta e o sulco ficará mais profundo. Este adulto estará com sua liberdade bastante comprometida, mas não ao ponto que não possa decidir que aquele veredito do passado determine seu presente e seu futuro.
Sim, mesmo este adulto poderá recomeçar sua vida.
Não será fácil, mas será possível.
Vai doer muito, mas o prêmio é a liberdade que escancara o riso ao ver vazia a caixa de picolés.
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
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