CONSTRUINDO UM TEMPLO RELIGIOSO - Parte 4: Investir para Economizar (Amurabe Farel)

Um grande amigo meu, aposentado, recebe seus proventos do governo do Estado do Rio de Janeiro. Programou sua vida profissional e foi se ajustando ao longo do tempo para poder viver contando apenas com os proventos de sua aposentadoria.

Inesperadamente, o estado ficou sem condições de pagar os aposentados. Meu amigo recebeu o golpe, mas, responsável que é, buscou alternativas de receita. Não adiantava a ele ficar sentado se lamentando e ver as contas a pagar acumulando e sua família a passar aperto. Foi trabalhar como motorista de UBER.

Num primeiro momento isso permitiu um alívio. Imediatamente começou a receber dinheiro que cobria as despesas mais emergenciais. Depois percebeu que para obter essa receita havia um custo agregado, também imediato. O combustível. Boa parte da receita que começou a auferir com o trabalho era consumida pela necessidade de abastecimento do veículo. Gasolina é um combustível caro. Buscou então uma alternativa mais eficiente. Adaptou o veículo para ser abastecido a gás. Precisou fazer um investimento inicial, mas, a partir desse investimento, o seu custo por quilômetro rodado caiu sensivelmente, permitindo uma margem maior de lucro sobre seu trabalho.

As crises nos impulsionam a sair da nossa zona de conforto; nos obrigam a estudar e mesmo investir em alternativas menos custosas para o nosso dia a dia.

Esse é o meu objetivo neste texto. Lembrar que o custo fixo com o qual estamos acostumados carrega um peso que pode ser reduzido se estivermos dispostos a estudar e investir em novas tecnologias e alternativas “sustentáveis”.

Para citar alguns exemplos:

·         Consumo de energia – Este é um item com muitas alternativas. Quanto mais atuante a igreja, maior a utilização de seu templo e dependências. Consequentemente, maior também o consumo de energia. Por esse motivo, qualquer redução obtida que não represente reduzir o uso do espaço ou cancelamento de atividades será sempre muito bem vinda.

O primeiro passo é saber se a igreja já requereu e se beneficia da imunidade tributária que é concedida às entidades de culto religioso. Esta é a primeira redução possível, garantida por lei. A concessionária deixa de cobrar os impostos sobre o consumo de energia.

O segundo procedimento é solicitar a um engenheiro eletricista que faça uma avaliação da instalação existente, com verificação da carga instalada, para ver se é compatível com a alimentação contratada com a concessionária e para verificar se a distribuição dessa carga está equilibrada entre as fases e os circuitos. É uma análise técnica que pode representar algum investimento, mas garantirá o equilíbrio da instalação prevenindo panes elétricas.

O terceiro procedimento é substituir as lâmpadas existentes por lâmpadas de LED que garantem um fator de iluminação maior com um consumo sensivelmente reduzido. Apenas como exemplo, uma lâmpada de LED de 16 Watts equivale a uma lâmpada eletrônica de 28 watts, que equivale a uma lâmpada incandescente de 100 watts. Essa substituição pode ser gradativa, mas, quanto antes, maior a economia. O mesmo procedimento se aplica aos aparelhos de ar condicionado e demais equipamentos, procurando sempre as linhas de menor consumo. No caso específico dos aparelhos de ar condicionado, linha inverter, para qualquer fabricante, é a de menor consumo.

O quarto procedimento é a instalação de painéis fotovoltaicos para geração de energia. Esse processo é homologado pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e existem hoje várias empresas qualificadas para fornecimento e instalação dos equipamentos em qualquer município do Brasil. Ainda é um investimento alto. É necessário fazer uma avaliação do tempo de retorno desse investimento, considerando-se a redução obtida na conta de consumo. No entanto, é preciso lembrar também que hoje o sistema de tarifa da energia elétrica fornecida pelas concessionárias é regulamentado e estabelecido pelo governo federal. Ficamos então sujeitos a taxas extras, como as bandeiras vermelhas e amarelas que oneram as nossas contas em períodos de poucas chuvas e baixas nos reservatórios das hidrelétricas.

Se o investimento conseguir ser amortizado entre cinco e seis anos, certamente vale a pena.  O sistema fotovoltaico, em algumas regiões, pode ser complementado ou mesmo substituído por sistema eólico, utilizando o vento na geração de energia.

 

·         Consumo de água – Neste segmento a legislação mais atual inibe, quase proibindo, a perfuração de poços artesianos em regiões que são abastecidas por concessionárias de fornecimento de água. O que tem sido bastante estudado e desenvolvido, além do uso inteligente da água, é a possibilidade de reuso da mesma.

Na questão do uso inteligente, por exemplo, hoje existem vasos com caixa acoplada e mesmo descargas com duplo fluxo. Torneiras automáticas com fluxo controlável de água, entre outros. No entanto, esses equipamentos, embora muito eficientes, dependerão sempre do bom senso do usuário.

Boa parte dos profissionais de arquitetura em seus projetos está considerando, por exemplo, a utilização da água de chuva, captada em reservatórios apropriados, para abastecimento das colunas de vasos sanitários e de limpeza dos prédios, deixando a água potável, fornecida pela concessionária, com utilização restrita para cozinhas, chuveiros e lavatórios.

Em algumas construções é possível adaptar as instalações existentes a esse sistema, remanejando as tubulações.

No caso das igrejas, a água do batistério, após a realização de batismos, precisa ser reaproveitada, é um volume sempre considerável. Essa água pode ser esgotada para a cisterna de reuso e ser utilizada na coluna dos vasos sanitários.

Sistemas ainda mais sofisticados fazem o tratamento do esgoto podendo produzir água potável como resultado final. São processos ainda muito dispendiosos que só se justificam em volumes muito consideráveis.

É preciso ter uma saudável preocupação de combate ao desperdício. Uma administração atenta ao dia a dia da igreja, com esse tipo de visão, vai descobrir ainda outras maneiras de reduzir os custos sem interferir nas atividades regulares e ministeriais da mesma. Que a solução para o equilíbrio financeiro da igreja não passe nunca por descontinuar projetos seus ou deixar de cumprir os compromissos denominacionais.

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar