Chácara Jr.

Êxodo 18.1-7: MOISÉS FILHO, MOISÉS PAI

MOISÉS FILHO, MOISÉS PAI
Êxodo 18.1-7

Pregado em na Igreja Batista Itacuruçá, em13.8.2000 - manhã

1. INTRODUÇÃO
Os erros e acertos de Moisés são convites aos nossos acertos.

2. MOISÉS, FILHO
A história do nascimento e adoção de Moisés revela claramente o mundo familiar de uma época, mas também a natureza da vida familiar.

2.1. É difícil criar filhos
Como é difícil criar os filhos, em qualquer época! Naquela, o nascimento era proibido. Há lugares no mundo, como o China, em que a quantidade de filhos é planificada. Há países em que quem tem filho é premiado. Há lugares no mundo em quem tem filha (mulher) é punido. Nosso mundo, em relação à vida em família, não é pior nem melhor que o antigo Egito.
Quem tem filhos vive sobressaltado, por causa da violência de nossas cidades.
Quem tem filhos vive preocupado, por causa da falta de perspectivas profissionais.
Quem tem filhos vive ansioso, por causa da relativização dos valores que não podem ser relativizados.
Como a família de Anrão e Joquebede, temos nossos dramas como pais.

2.2. O amor ousa para salvar os filhos
Como todo bebê, Moisés era lindo. Mas não foi por isso que sua família o protegeu da polícia do Faraó. Se ele fosse feio (e nenhum neném o é), receberia o mesmo cuidado.
O cuidado representou um enorme risco. A operação podia não dar certo, mas foi levada a cabo porque não havia outra saída.
Neste ínterim, a família fez como todas: toma as suas providências (enviando Miriam para observar e agir) e põe-se em oração. Joquebede certamente (embora o texto não o explicite) ficou em casa de joelhos. Não é assim que uma mãe faz quando seu filho não chega em casa.

2.3. Deus cuida de nossas famílias
A adoção, a estranha adoção, por parte de Faraó do menino hebreu mostra que Deus está no controle da história. Ela abençoou a ousadia dos pais e Moisés, cujo nome quer dizer "tirado das águas", foi tirado da morte.

3. MOISÉS, PAI
Depois de receber o poder para realizar a missão que Deus lhe confiara, Moisés mudou-se com sua família para o Egito, deixando a casa do sogro (4.20)
No caminho, sua esposa Zípora tomou a iniciativa, que pertencia ao pai, de circuncidar Gerson, seu filho mais velho (4.24-26).
Eles ficaram algum tempo no Egito, mas, com as dificuldades, Moisés decidiu enviar a esposa e os dois filhos de volta para Midiam, para a casa de Jetro.
Muito tempo depois, estando já a caminho de Canaã, onde nunca chegariam, o sogro lhe trouxe os filhos, já adolescentes, e a esposa, para a retomada da vida familiar. Jetro teve o cuidado de dar algumas orientações ao genro (que raramente as querem) sobre como proceder em seu trabalho, inclusive para preservar a família, porque no ritmo em que Moisés trabalha, ela logo seria destruída (18.1-27).

3.1. Equívocos do pai Moisés
Como pai, Moisés cometeu alguns equívocos, que servem de advertência a nós, pais.

1. O pai Moisés colocou a missão (que Deus lhe dera) acima de sua família.
Deus não realiza uma obra destruindo sua própria errada. A primazia será sempre a família. O contrário disto é uma inversão contra a ordem do Pai. Deus, que criou a família, nunca nos pede algo que contrarie seu próprio plano. É a família, não o trabalho, a igreja, a escola, o lugar que Deus providenciou para a nossa realização.
Por vezes, em nome do trabalho, seja ele qual for (mesmo eclesiástico), abandonamos nossa família, num estranho paradoxo. Agarramo-nos ao trabalho, na feroz luta pela sobrevivência, e soltamos nossa família, porque nos arrebentamos de trabalhar.
Precisamos de equilíbrio, equilíbrio que Moisés  não teve. Não podemos esquecer de trabalhar pela família. Não podemos esquecer de conviver com a família.

2. O pai Moisés se esqueceu da aliança
Envolvido no trabalho, Moisés se esqueceu que sua aliança com Yahweh incluía a circuncisão. Como iria chegar ele ao Egito, onde se encontraria com o seu povo, do qual se encontrava afastado, sem circuncidar Gerson?
Por vezes, trabalhamos tanto que não sabemos porque estamos trabalhando. O trabalho não é um fim. O fim é o bem estar de nossas familias, que nos inclui e ao nosso cônjuge e filhos. O trabalho é um meio para o alcance deste fim.
Por vezes, quando recebemos alguma missão de Deus, nós a executamos com tanto afinco que nos esquecemos do Comissionador, o que torna nosso trabalho absolutamente sem valor. É para Ele e por Ele que fazemos. Não para nós e por nós.

3. O pai Moisés delegou a tarefa de educar seus filhos à esposa
Zípora teve que circuncidar seu filho. É possível que no caminho a esposa lhe viesse advertindo, mas ele foi empurrando para depois. O Egito estava chegando e Moisés não agia. Não acontece assim conosco. Nós, pais, somos geralmente muito relapsos. Quando sabemos de algum problema, nossas esposas já os resolveram há muito tempo...
Zípora fez algo que não lhe cabia; por isto, ficou tão revoltada. Zípora não era hebréia. Ela aprendeu a amar o Deus dos hebreus e a respeitar a aliança com Ele, que ela tornou sua. Aliás, quantos cônjuges, convertidos tardiamente, se empenham mais na vida cristã que seus esposos ou esposas mais antigos na fé.
Moisés errou em delegar a tarefa da educação religiosa à esposa. Esta é uma tarefa para os dois.

3.2. Os acertos de Moisés
Como pai, Moisés cometeu alguns acertos, que servem de exemplos para nós, pais.

1. O pai Moisés reconhecia que seus filhos eram bênçãos de Deus
Moisés tinha a plena consciência que suas realizações eram realizações de Deus (18.9-12). Do mesmo modo, tinha certeza absoluta que seus filhos eram bênçãos do Senhor para ele e sua esposa.
Os nomes que deu aos meninos o revelam. Ao mais velho, chamou Gerson ("exilado"), porque lhe nasceu quando estava em terra estrangeira. Com isto, o pai queria dizer: mesmo na dor do Exílio, Deus me abençoou e me deu uma companhia. Ao mais novo, chamou Eliezer ("Deus é minha ajuda"). Com isto, o pai reconhecia que, mesmo no sofrimento da distância do seu povo, Deus veio em seu socorro e lhe trouxe alegria e força para viver.
A propósito, quantos filhos (desculpem a expressão: idiotamente) acham que não são amados pelos pais!
Moisés é um exemplo de pai, ao reconhecer seus filhos como dons de Deus para ele.

2. O pai Moisés buscou preservar sua família.
Quando a situação se tornou insuportável no Egito, ele mandou sua esposa e seus filhos para um lugar seguro, no caso a casa dos sogros.
Deve-lhe ter doído muito separar-se deles, mas esta era uma atitude necessária para a preservação deles. Quando criança, ele foi tirado de casa, à força, para que pudesse sobreviver. Agora, tinha ele que arrancar de casa seus filhos e esposa, para que pudessem se desenvolver longe daquele cenário de tensões e imprevisibilidades.
O que ele fez pode não ser um modelo, mas sua atitude o é.

3. O pai Moisés não fugiu ao seu compromisso
Quando o sogro lhes trouxe a esposa e os filhos, Moisés os recebeu alegremente e os reassumiu. Não alegou a ingência do trabalho para adiar seus compromissos. Ele tinha uma aliança com Deus, e esta aliança incluía sua família.
É possível que Moisés tenha demorado a aprendê-lo, mas aprendeu.


4. CONCLUSÃO
A atuação de Deus em sua vida, desde sua libertação em tenra idade à sua vocação e capacitação, é uma inspiração para nós, porque o nosso Deus é o mesmo dele.

Comentários   

 
0 #4 pesquise um pouco maisGuest 15-04-2013 19:51
a história não é bem essa. pesquise mais.
 
 
0 #3 nãoGuest 04-02-2011 12:51
não entendi nada mesmo
 
 
0 #2 pretensões do autor?Guest 24-09-2010 18:55
É pretensão do autor julgar Moisés tão facilmente.
A Missão muitas vezes antecede a família e esta não raro aumenta por negligência de apenas um dos cônjuges, ou de todo modo existe um pacto entre eles como sucedeu aqui.
Moisés fez aquilo que lhe era possível na sua situação.
Abrahão já fora provado se amaria mais o filho ou a Deus. Moisés então codificou o Primeiro Mandamento claramente.

Luís Salvi
 
 
0 #1 Bom esboço de pregaçãoGuest 04-04-2010 12:25
Amei esse esboço de pregação.
 

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