LIDERANÇA E RESPONSABILIDADE MORAL: MIRIÃ E ARÃO (Altair Germano)

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"Falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cuxita que tomara; pois tinha tomado a mulher cuxita.
E disseram: Porventura, tem falado o SENHOR somente por Moisés? Não tem falado também por nós? O SENHOR o ouviu. [...]
E a ira do SENHOR contra eles se acendeu; e retirou-se. A nuvem afastou-se de sobre a tenda; e eis que Miriã achou-se leprosa, branca como neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que estava leprosa."
(Nm 12.1, 2, 9, 10)
 
A responsabilidade moral não é algo relacionado apenas ao que fazemos, mas, também, ao que sentimos e falamos (ou deixamos de falar).
Mirian e Arão eram irmãos mais velhos de Moisés. Em família, tratando-se de condições normais e cotidianas, Moisés deveria submissão à autoridade de seus irmãos, mas, na condição de líder escolhido por Deus e investido de autoridade para o seu trabalho, eram Miriã e Arão que lhe deviam submissão.
Dois descontentamentos se revelam no texto. O primeiro por Moisés ter casado com a mulher cuxita, e o segundo pela posição que Moisés ocupava. Tais circunstâncias se tornam um fértil terreno para o surgimento e crescimento de ressentimentos, invejas, ciúmes e disputas.
O Senhor Deus, que tudo vê e escuta, logo interferiu na história, para mais uma vez nos ensinar grandes lições.
Em primeiro lugar, é importante lembrar que Deus tem várias maneiras de tratar com os seus líderes. Ele chamou os envolvidos imediatamente à parte, para com eles tratar. Havia urgência para tratar daquela situação:
 
"Logo o SENHOR disse a Moisés, e a Arão, e a Miriã: Vós três, saí à tenda da congregação. E saíram eles três." (Nm 12.4)
 
Em segundo lugar, O Senhor confirmou mais uma vez a autoridade de Moisés, destacando a intimidade com que tratava e falava com ele, além da fidelidade com que este o servia:
 
"Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do SENHOR; como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?" (Nm 12.6-8)
 
Em terceiro lugar, ficou claro o ultraje e o desrespeito de Mirian e Arão contra a autoridade delegada pelo Senhor.
 
"[...] como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?" (Nm 12.8c)
 
Em quarto lugar, Deus resolve responsabilizar moralmente Miriã e Arão por seus atos:
 
"E a ira do SENHOR contra eles se acendeu; e retirou-se. A nuvem afastou-se de sobre a tenda; e eis que Miriã achou-se leprosa, branca como neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que estava leprosa." (Nm 12.9-10)
 
O fato de Miriã sair leprosa do episódio, enquanto Arão aparentemente impune, tem intrigado ao longo dos tempos muitos estudiosos e expositores da Bíblia. Algumas considerações precisam ser feitas:
 
- Só o Senhor é quem sabe de fato, o que se passava no coração de Miriã e Arão, enquanto repreendidos verbalmente. O salmista afirmou "[...] de longe penetras os meus pensamentos" (Sl 139.2). Será que interiormente, Miriã não demonstrou o devido arrependimento? Será que apenas a correção verbal não lhe seria suficiente para uma tomada de consciência do erro cometido? Um fato nos salta aos olhos. Em nenhum momento o texto bíblico registra qualquer manifestação verbal de Miriã, que sinalize algum tipo de arrependimento. Por qual razão ela silenciou?
 
- E em relação a Arão? Como seu coração se colocou diante do Senhor? A repreensão que ouviu do Senhor lhe bastaria para que as lições fossem aprendidas? Ao contrário de Miriã, Arão não silenciou, antes, assumiu não apenas seu erro, como também o de sua irmã:
 
"Então, disse Arão a Moisés: Ai! Senhor meu, não ponhas, te rogo, sobre nós este pecado, pois loucamente procedemos e pecamos. Ora, não seja ela como um aborto, que, saindo do ventre de sua mãe, tenha metade de sua carne já consumida." (Nm 12.11-12)
 
Diante da confissão e arrependimento verbalizado e manifesto por Arão, como também de sua intercessão por Miriã, Moisés clamou a Deus para que este a curasse:
 
"Moisés clamou ao SENHOR, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures." (Nm 12.13)
 
O Senhor atendeu ao clamor de Moisés. Miriã, porém, não deixou em seu silêncio, de sofrer a disciplina, passando sete dias leprosa, fora do arraial (Nm 12.14-15).
 
O Senhor conhece a atitude do coração dos que erram e pecam contra Ele. Somos diferentes, reagimos diferente, por isso, nem sempre, diante de iguais circunstâncias, a disciplina do Senhor é aplicada da mesma maneira.
 
Sua correção não se fundamente apenas nas coisas aparentes ou visíveis. Ele penetra a divisão de nossa alma e espírito com a sua palavra:
 
"Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração." (Hb 4.12)
 

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