Deus não se agrada que mulheres usem calça comprida?

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A PERGUNTA
Tenho muitas dúvidas quanto a usos e costumes, como o uso de calça para mulher. Alguns dizem que Deus não se agrada do uso em mulheres, mas eu não consigo acreditar que o amor de Deus por nós se limite ao uso de uma calça. Será que o sacrifício de Jesus, o seu amor por mim acaba porque não acho necessário certos usos e costumes? 
 
UMA RESPOSTA
Eu poderia responder de um modo politicamente correto, dizendo que cada comunidade tem o direito de escolher seu estilo de vida. Eu até poderia concordar se essas comunidades dissessem que isto que pensam e não usassem a Bíblia para sacralizar seus ensinos.
Então, com toda a franqueza, vamos lá.
Não existe sequer um versículo bíblico que diga que calça comprida é roupa para homem e saia ou vestido é a roupa adequada às mulheres. O que a Bíblia diz que devemos nos vestir com decência. A Bíblia não diz também que os pastores devem usar terno ou colarinho clerical. Ao tempo da Bíblia não havia terno, como não havia calça comprida, nem vestido ou saía. Essas roupas são invenções modernas.
(O mesmo se aplica a brincos por homens. O livro de Êxodo, por exemplo, deixa bem claro que os homens usavavam brincos. O costume acabou, voltou algumas vezes ao longo dos séculos, retornou agora e daqui a pouco vai passar. Usar brinco, por parte de um homem ou de uma mulher, nada diz sobre o seu caráter ou sua obediência à Palavra de Deus).
Se esse pessoal dos "usos e costumes" desejar ser bíblico, terá que recomendar algo como grandes batas (túnicas) para homens e mulheres, inclusive para os os pastores, que não poderiam usar terno, uma invenção bem moderna. Ao tempo da Bíblia, as pessoas usavam túnicas, inclusive Jesus.
Não precisamos e não devemos reproduzir a cultura daquele tempo. O que devemos é buscar vivenciar os princípios que a Bíblia de Deus apresenta.
Também devemos cuidar para que nossas roupas não sirvam de pedra tropeço para os pequeninos (novos) na fé. Repito: para os novos, não para os velhos que têm suas convicções e querem impô-las aos outros.
O Evangelho não deve ser posto ao ridículo. Na rua onde eu moro passam diariamente mulheres de túnicas em direção aos seus empregos em casas de famílias. Sob um calor enorme, elas vestem, crendo estar sendo bíblicas, roupas de uma outra época e de uma outra cultura, que não tem nada a ver com a nossa.
Infelizmente, um assunto como este (roupa) ainda divide comunidades e até famílias, que não lêem com seriedade a Palavra de Deus, mas se deixam conduzir pela estupidez de seus líderes.
Dirá alguém: mas isto abre espaço para a imoralidade (para o uso de  roupas indecentes). O risco existe, mas é melhor corrê-lo do que ficar criando regras para os outros, coisa de fariseus, aqueles históricos inimigos de Jesus Cristo.
Desculpe a franqueza, mas o Evangelho é liberdade com responsabilidade, não legalismo. Ninguém é santificado por uma roupa mas por sua fidelidade a Jesus Cristo.
Precisamos de bom senso. É bom senso não colocar aquilo que nos agrada como algo que agrada a Deus. O critério dele é que amemos a justiça e não fiquemos discuitindo tolices. Se uma pessoa participa de uma comunidade que põe cargas que Deus não põe deve procurar outra onde possa servir sem amargura. Chega de burcas.

ISRAEL BELO DE AZEVEDO