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terça 21.Mai 2013

Curtas:
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Problemas na tela (Adalberto Alves de Sousa)

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Quando nossas igrejas passaram a incluir cânticos em suas ordens de culto, ao lado dos hinos tradicionais, surgiu a necessidade de prover de alguma forma as letras daqueles, para possibilitar a participação da congregação naquilo que passou a ser conhecido como louvor, como se o louvor se resumisse aos cânticos. Surgiram as “equipes de louvor”, designação imprecisa, que em muitas igrejas já foi substituída. No tempo do mimeógrafo criaram-se coletâneas de cânticos, que se reproduziram com a chegada da xerox, até que evoluíram para o PowerPoint. Hoje, em nossos templos, costumamos encontrar uma tela, ou várias, em que as letras do que cantamos e até os textos bíblicos que lemos são projetados.

Os problemas na tela, quase sempre, são gerados na digitação, quando aquele que digita confia na memória e resolve reproduzir os diversos textos “de ouvido”. Desse jeito é possível ler “Vou ver à obras” em vez de “Volver às obras”, “corsa” em vez de “corça” e “Vamos lutar com trator do mal” em vez de “Vamos lutar contra todo o mal”.

Mas hoje quero me fixar nos problemas com as interjeições “’ó’ e “oh”, que vez por outra brigam na tela, uma tomando o lugar da outra. O dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa define “ó” como “interjeição – expressa chamamento ou interpelação. Exs.: ó Laurindinha, vem cá!; ó menino, fique quieto!”. No mesmo dicionário, “oh” é definido também como “interjeição – expressa surpresa, desejo, repugnância, dor, repreensão”. Como se vê, são diferentes e cada uma tem seu uso específico. É verdade que em certos contextos, dependendo da intenção de quem escreve, elas podem ser intercambiáveis. Um dado muito importante pode ser visto nos exemplos do dicionário: com “ó” a vírgula é colocada depois do nome. Não se escreve “ó, Laurindinha,” para expressar chamamento. Portanto, quando “ó,” (seguido de vírgula) for projetado, alguém cometeu um equívoco. Com “oh” é diferente: o sinal de pontuação é colocado após a interjeição. Podemos escrever “oh, Laurindinha” ou “oh! Laurindinha” quando quisermos expressar surpresa, desejo, repugnância, dor, repreensão. Embora pouco frequentes, podemos encontrar exemplos de “oh” não seguido de pontuação, como em “Oh glória, dai glória”.

Veja, para concluir, alguns exemplos da Bíblia: “Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra...” (Sl 8.1); “Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade! (Sl 36.7); “Ouvi-me, ó levitas...” (2Cr 29.5); “Oh! quão grande é a tua bondade...” (Sl 31.19); “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” (Sl 133.1); “Oh, se de Sião tivera já vindo a salvação de Israel!” (Sl 14.7).

 

 ADALBERTO ALVES DE SOUSA

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