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quinta 17.Mai 2012

Curtas:
Você está aqui: REFLEXÕES Bom dia

Bom dia

BOM DIA: Lembrança que liberta

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Há momentos, breves uns, demorados alguns,
marcados pela experiência do silêncio de Deus,
cujos ouvidos parecem moucos para gritos roucos
que certamente não perpassam os umbrais os céus.

Há tempos, duros demais, tristes demais,
em que a justiça simplesmente não é ministrada
tão lenta, tão desigual, tão debochada.

Há dias, em formato de noite que não termina,
em que no corpo moído a fé não mais germina,
posto à deriva, enquanto aguarda o fim da jornada.

Até que os fios da memória tecem a lembrança
de que o sentimento de agora é repetição.
Move-se o cordeiro, como o mostrado a Abraão,
para provar que na boa hora vem a libertação.

Nesta quadra iluminada, atenta, a alma descansa.
Desfeita a névoa, logo os olhos voltarão a brilhar;
a voz, antes calada pelas lágrimas, voltará a cantar,
na certeza que Deus é mesmo de conosco se importar.

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

BOM DIA: Mente crítica ou espírito crítico?

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Há uma diferença entre mente critica e espírito crítico?
Ou melhor: deve haver uma diferença entre mente crítica e espirito crítico, se não queremos que morra em nós a esperança.
Todos devemos ter uma mente crítica, que nos faz examinar tudo e reter o que é bom (1Tessalonicenses 5.21). Criticar é peneirar. Vem tudo para a peneira, mas só passa o que for de valor.
Precisamos ler criticamente, para que não engulamos o que nos dizem os jornalistas e os escritores.
Precisamos ver criticamente, para que não admiremos filmes e peças de teatro que não mereçam nosso entusiasmo.
Todos devem tomar cuidado para não nos tornarmos reféns de um espírito crítico, que se realiza no prazer em expor as falhas dos outros e em negar o valor das ideias e práticas diferentes das nossas.
Se não cuidarmos, acabaremos prisioneiros da amargura e algemados pelo orgulho.
A mente crítica é humilde: quer aprender, mesmo quando ensina.
O espírito crítico é arrogante: quer destruir, mesmo quando sugere.
Na mente crítica, há espaço para a celebração da vida e lugar para a esperança.
No espírito crítico, não há uma jardim para a generosidade, nem tempo para a fraternidade.
O espírito crítico é para ser evitado.
A mente crítica é para ser cultivada.

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

BOM DIA: Não há um muro no fim da rua, 3/3

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Escrevo para J., o homem (fictício) que nasceu no medo, libertou-se do medo, mas está com medo de novo.
"Meu caro J.:
Não tenha medo. Falo em nome de Deus. Ele repete isto na sua palavra centenas de vezes. Ele não o criou para ter medo dele.
Você me disse que ama a Deus, mas está confuso, porque lê na Bíblia deve ter temor a Deus e você não tem mais medo de Deus.
Que bom.
Por isto, quero lhe dizer que o "temor ao Senhor" não quer dizer "medo de Deus", mas significa: amor a Deus, interesse por Deus, reconhecimento da finitude humana diante da grandeza de Deus, admiração diante da sabedoria de Deus, etc. etc.
Mais ainda, quero lhe trazer para pensar um versículo revolucionário da Bíblia. "No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor [de Deus] expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor" (1João 4.18).
Sabe, por exemplo, aquele medo do que será nossa vida depois da morte? Jesus veio para nos mostrar e dizer que podemos ter certeza que viveremos com ele para sempre. Ele chama esta vida de "eterna".
Sabe aquele medo de estar desagradando a Deus? Jesus olha o nosso coração, isto é, para a nossa intenção. Por isto, ele não ouviu a oração do "Certinho" (que assim se achava e se elogiava), mas do "Erradinho" (que pedia que Deus o perdoasse) e mesmo da Mulher que vivia à margem, por causa dos seus erros, considerando-a ao ponto de aparecer especialmente a ela quando ressuscitou.
Então, meu amigo, siga pela estrada da graça que termina no céu.
Quando recair no medo, peça a Deus para lhe conduzir de novo para a estrada da graça.
Na estrada da graça, vamos tomando conhecimento dos alvos de Deus para nós, alvos que nos ajuda alcançar, como o de atentarmos para as pessoas em suas necessidades e não nos deixarmos corromper (Tiago 1.27).

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

BOM DIA: Não há um muro no fim da rua, 2/3

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Vou contar uma história que, preciso dizer, é totalmente fictícia, juntando experiências que vi e vivi, mas não se refere a nenhuma pessoa particularmente, porque pode se referir a muitas.
J. nasceu numa família evangélica, amado por seus pais.
Seus pais, no entanto, tinham uma visão de Deus como alguém a ser temido. A igreja deles reforçava o conceito, aprendido na geração anterior.
O garoto cresceu com medo de Deus, da ira de Deus, do castigo de Deus, do humor de Deus, da disciplina de Deus. O garoto não aprendeu a amar a Deus.
Adolescente, percebeu que Deus nem sempre castigava e que podia fazer o que bem entendesse. Fez e nada aconteceu.
Fez e não teve medo, mas também não encontrou a alegria que imaginava estar do outro lado da fé.
Fez uma viagem de volta e descobriu a graça, que não conhecera antes.
Na graça, descobriu que era amado por Deus não pelo que fazia, mas pelo que era.
Gostou. Sorriu. Maravilhou-se.
Depois, no entanto, J. ficou com medo. A liberdade da graça lhe dava medo, por não saber o que fazer com ela.
A liberdade é algo tão fascinante que gera medo.
Não há quadrados riscados no chão para nos limitar.
Não há um muro no fim da rua para nos impedir de passar.
A música não é para ser cantada com o rosto crispado.
Amar ao próximo não é uma obrigação, mas um convite.
Quem ama a Deus não é escolhido por suas obras, embora seja escolhido para fazer boas obras.

 

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

BOM DIA: Não há um muro no fim da rua, 1/3

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Têm razão os críticos da religião quando dizem que ela é mantida pelo medo.
No caso cristão, há pessoas que contêm seus desejos com medo do castigo de Deus. Há pessoas que não deixam de fazer algumas coisas (como ir à igreja ou dar o dízimo, por exemplo) com medo da disciplina de Deus.
Como cristãos, temos que assumir que a crítica é procedente.
Para piorar, encontramos na Bíblia inúmeros convites a que tenhamos "temor de Deus".
Se é verdade que muitos líderes cristãos lançam mão de ameaças, eloquentes ou discretas, o medo não faz parte da fé cristã real.
A fé cristã real é a fé vivida e ensinada por Jesus Cristo.
Quando lemos as intervenções de Jesus, nós o vemos em combate aberto contra a religião do medo. Por 24 vezes, por exemplo, os evangelho registram-no falando "Não tenha(m) medo". As pessoas com quem andava eram escorraçadas pela religião do medo. Uma delas ele pessoalmente livrou do apedrejamento na última hora (João 8.1-11).
A boa notícia é exatamente esta: quem ama a Deus não tem medo.
O berço desta revelação foi a vida de Moisés, sobre quem a Bíblia diz que conversava com Deus face a face, tal como a gente conversa com um amigo (Êxodo 33.11).
Jesus não chamava seus seguidores de servos, mas de amigos (João 15.14).

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

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