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domingo 19.Mai 2013

Curtas:
Você está aqui: REFLEXÕES Bom dia

Bom dia

BOM DIA: O poder da picuinha

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Todos nós queremos ser relevantes: queremos fazer algo que torne melhores as nossas vidas e as dos outros, a partir do que nós cremos.
O sentido da relevância, que nos dá sentido para viver, está na contramão do egoísmo, logo, é algo de natureza altruísta.
Ao propor algo, para vidas melhores, enfrentamos oposições, que são SEMPRE salutares. A oposição faz com que repensemos nossa proposta e até mesmo nos leva a desistir dela, ao nos mostrar a sua inconsistência. O altruísmo nos leva a renunciar (sempre um tapa no egoísmo) e, logo depois, buscar outros caminhos. Bem-vindas as oposições, que nos ajudam a seguir em frente.
O que realmente estiola a alma é a picuinha.
A palavra parece vir do bico da ave. A provável etimologia já diz tudo. Uma bicada dói.
Você tem uma ideia, digamos, uma grande ideia. Apresenta-a. O único a fazer um comentário se refere a uma vírgula fora de lugar.
Você dirige um espetáculo, bonito, aplaudido, mas alguém vem reclamar que a sua gravata não combinava com o paletó.
Você se esforça para fazer uma palestra, com horas a fio de estudo, mas as perguntas, ao final, nada têm a ver com o tema abordado.
Com a multiplicação das picuinhas (uma só você mata no peito...), você começa a se perguntar: Para que buscar a solução para um problema? Para que preparar uma palestra ou escrever um livro? Para que ensaiar tanto para cantar ou tocar ou reger?
Com o tempo, as perguntas se tornam respostas do tipo "não vale a pena" ou "nada vale a pena" ou "custa menos deixar como está".
Quando isto acontece, o egoísmo vence o altruísmo.
E a alma se apequena.
Não podemos evitar as picuinhas, mas devemos resistir ao poder delas sobre nós, se queremos ser relevantes.
 
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
 

BOM DIA: Já que somos todos teólogos

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Todos temos uma teologia, mas nem sempre temos uma boa teologia. Nós precisamos de uma boa teologia.
Uma boa teologia nos ajuda a compreender o mundo. Toda boa teologia é uma teologia da história, ao pôr ordem no que parece não ter ordem alguma. Enquanto as pessoas viam o fim das promessas de Deus para Israel, o profeta Jeremias (em 587 a.C.) via na desgraça um ponto de partida para a graça, começando com o arrependimento do povo.
Uma boa teologia nos dá esperança. Jeremias tinha uma boa teologia, que lhe ajudou a atravessar a desesperança dos seus dias. Uma boa teologia olha para Cristo: sua vida, sua morte, sua ressurreição, sua ascensão, sua volta, enfim, seu senhorio, mesmo que o faraó Neco grite ou que Nabudonosor ponha um anzol no nariz dos governantes e do povo. A boa teologia sempre nos leva a um coração confidente, ao pormos nossa confiança na Palavra de Deus, uma vez "a fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra de Deus".
Uma boa teologia nos envolve no processo de mudanças, fazendo-nos pensar como o mundo deve ser e como agir para que ele seja o que sonhamos (Deus e nós).
Para ser boa, a teologia precisa ser bíblica.
Para ser boa, a teologia precisa estar em diálogo com as ciências, sem atitude de subserviência (sob elas) e sem senso onisciência (sobre elas).
Para ser boa, a teologia precisa ser criativa, indo além da repetição, para incluir a inovação e, se for o caso, a radicalidade.
Para ser boa, a teologia precisa ser feita com o coração. Uma boa teologia não é árida, porque é feita também com o coração.
Para ser boa, a teologia precisa ser feita com oração. Se a teologia é feita como resposta a um chamado, quem chama tem o mesmo desejo.
Teologia não pode ser apenas coisa humana, embora jamais seja apenas divina.
 
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
 

BOM DIA: Sucesso é o que importa

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A coisa mais importante da vida é o sucesso.
Se for grande e rápido, chegamos ao ponto ideal.
Aprovados pelas pessoas, nós, então, nos consideramos aprovados.
Logo, a pior coisa da vida é o fracasso.
Se ele nos flagrar várias vezes aos olhos de todos, será como viver na lama de um poço profundo.
Reprovadas pelas pessoas, o que nos resta?
Sempre foi assim. O que muda é a quantidade das pessoas envolvidas e a velocidade das coisas trazidas.
Como classificaríamos uma pessoa que durante 40 anos pregou ao seu povo? Nesse tempo, quase ninguém creu nele. Para contar os amigos, não precisava de todos os dedos de uma de suas mãos. Foi desmoralizado e esbofeteado em público. Foi preso. Foi exilado. Morreu esquecido.
Sabemos de sua história pelos livros, que talvez os seus contemporâneos não tenham lido.
O paradoxo é que Jeremias, o profeta que viveu 26 séculos antes de nós, estava com a razão.
Talvez nem ele tenha sabido que o mais importante não é o sucesso, mas a fidelidade (como escreveu W.W. Wiersbe).
Mas quem de nós aprendeu?
 
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
 

BOM DIA: O dilema de todos os dias

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Se vivermos de acordo com a nossa própria natureza (entenda-se natureza como inclinação natural, tendência natural, desejo natural), vamos colher espinhos.
A nossa natureza só vê a satisfação imediata e é cega para as consequências das suas escolhas. A nossa natureza, dizendo-se livre e autônoma, é influenciada pela nossa própria história, com os exemplos que correm em nossas veias, ou pelas pessoas com as quais convivemos (sejam os astros do entretenimento, seja as turmas do trabalho, da rua ou da escola). A nossa natureza, tão cheia de si, não percebe as grades da prisão em que se encontra.
Há uma alternativa.
Vivamos pelo Espírito Santo. Quando vivemos pelo Espírito Santo, dizemos "não" à nossa natureza. Pelo menos no plano do desejo, ela deixa de ser a rainha do nosso coração. A morte de nossa natureza é a vida de nossa vida.
Viver de verdade é viver guiado pelo Espírito Santo, não pelos espíritos de nossa época ou de nossos desejos.
Ser guiado pelo Espírito Santo implica em abrir mão da liberdade da natureza (esta que renunciamos ou devemos renunciar) e ser alcançado pelo liberdade do Espírito Santo. Se o salário de uma vida sob o tacão da natureza é a morte, o salário de uma vida docemente cativa do Espírito Santo é mais vida.
 
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
 

BOM DIA: Não vivemos só de respostas

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A maioria das pessoas tem dúvidas, seja sobre questões centrais, seja sobre questões periféricas.
As dúvidas não são o problema, mas o que fazemos com elas.
Se elas nos acompanharem, mas não nos dominarem, serão ombros amigos na trajetória.
Se elas nos dominarem, vão-nos tirar do caminho.
E será difícil voltar.
Apesar das dúvidas ou talvez por causa delas, uma bela decisão é crer.
Primeiro, devemos que Deus existe e se importa conosco.
Segundo, devemos crer que ele nos legou uma palavra, em forma humana, a Bíblia, pela qual nos orienta para a vida.
Terceiro, se queremos saber quem Deus é, precisamos olhar para Jesus como descrito nos Evangelhos.
São como premissas. Nas quais precisaremos apostar.
Depois da decisão de crer, precisamos cultivar a fé, cultivar no sentido de adubar, de criar condições para que se desenvolva.
Neste cultivo, a participação numa comunidade de fé, apesar das suas (quer dizer, nossas) falhas, é insubstituível. Nela se respira o ar da fé. Participar dela é, portanto, respirar o ar da fé.
Nada disto garante que dúvidas novas e velhas deixem de franzir as nossas testas, mas esses cuidados (mais um) nos ajudam a colocá-las no seu devido lugar, que é a periferia da nossa mente.
O terceiro cuidado é vigiar o coração, para que a dúvida não se torne uma espécie de amargura incurável, que começa com o prazer de fazer perguntas, transforma-se numa compulsão por perguntas e se converte num orgulho de fazer perguntas.
Perguntar faz parte da vida. Responder também. Não vivemos só de respostas e nem apenas de perguntas.
 
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
 

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