marcados pela experiência do silêncio de Deus,
cujos ouvidos parecem moucos para gritos roucos
que certamente não perpassam os umbrais os céus.
Há tempos, duros demais, tristes demais,
em que a justiça simplesmente não é ministrada
tão lenta, tão desigual, tão debochada.
Há dias, em formato de noite que não termina,
em que no corpo moído a fé não mais germina,
posto à deriva, enquanto aguarda o fim da jornada.
Até que os fios da memória tecem a lembrança
de que o sentimento de agora é repetição.
Move-se o cordeiro, como o mostrado a Abraão,
para provar que na boa hora vem a libertação.
Nesta quadra iluminada, atenta, a alma descansa.
Desfeita a névoa, logo os olhos voltarão a brilhar;
a voz, antes calada pelas lágrimas, voltará a cantar,
na certeza que Deus é mesmo de conosco se importar.
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
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Bom dia
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