1. Precisamos mudar o nosso olhar. A história não é apenas uma sucessão de atos que cometemos. A história é uma produção conjunta: Deus e o homem estão em ação. O que Deus faz é invisível. Só aquilo que o homem faz pode ser contado e quantificado. O que a medicina faz pode ser registrado e conferido. O que a engenharia faz pode ser fotografado e reproduzido. O que a psicologia faz pode ser narrado e transferido. O que Deus faz pode ser sentido e... contestado. No entanto, quem está por trás da competência humana, inspirando-a, dirigindo-a, fortalecendo-a e, às vezes, intervindo natural ou sobrenaturalmente? Se mudarmos o nosso olhar, reconheceremos que os humanos feitos são também feitos divinos.
2. Precisamos acompanhar os fatos em torno de nossa vida. Quando pedimos uma intervenção (silenciosa ou altissonante), precisamos relacionar a vitória obtida com a oração que fizemos. Nem sempre fazemos isto. Oramos e, muitas vezes, nos esquecemos de reconhecer que conseguimos porque oramos, nesta ordem.
3. Precisamos ser extravagantes na gratidão como o somos na petição. Não choramos, por vezes, com lágrimas quando necessitamos de algo? Por que, para agradecer, dizemos apenas um burocrático "obrigado, Senhor". Devemos ser proporcionais no rogar e no exaltar a Deus.
4. Precisamos agradecer pela fé. Ter fé não é ver o que não vemos? Agradecer pela fé é agradecer antes de receber. Isto é coisa difícil para o ansioso, que ora, mas não entrega, talvez porque não confie de verdade.
5. Precisamos reformar nossa teologia, para que dela não faça parte a ideia (nem sempre publicada) de que Deus está obrigado a nos conceder o que lhe pedimos. A grande graça (da salvação) e as pequenas graças (do dia a dia) dEle para conosco vêm do jeito de Deus ser: Ele tem prazer em abençoar.
6. Precisamos cuidar para que as frustrações não nos tornem pessoas amargas, sempre críticas (até de nós mesmos) e prontas a enxergar microscopicamente os erros (nossos e dos outros), porque esse estado de espírito pode nos tornar incapazes de agradecer, de sorrir e de ter esperança.
Com estas atenções, a gratidão começará a constituir o nosso jeito de ser.
ISRAEL BELO DE AZEVEDO
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