DIANTE DE SILAS E PAULO NA PRISÃO

Senhor, com ousadia te digo que detesto
a meia noite, em que vejo que não me deste
a bênção todo dia, tantas recebi, que fiquei viciado.
Senhor, eu me envergonho deste protesto,
ao ler a saga de Paulo e Silas na prisão.
Senhor, com ousadia eu declaro meu veredito:
tudo os abandonaste na cadeia, ali no chão.
Eles pregavam a boa notícia, por isto isto grito,
e receberam com prêmio foi o porão.
Mas seus cantos era o único som que se ouvia.
Senhor, tu sabes que eu murmuraria,
como reclamo de qualquer noite sem alegria.
Será por isto que seguras o terremoto
capaz de estilhaçar minha algema
e me empurrar para a liberdade plena?

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

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